Qual a importância do DRE e do BP, e como fazê-los



Hoje em nosso país, segundo dados do Sebrae, uma a cada quatro empresas que são criadas fecham antes de completar dois anos. Dentre os principais motivos para este sucesso tão baixo estão crises políticas e a burocratização exacerbada. Porém, é a falta de planejamento e gestão destas o principal agente causal da situação.


Dentre importantes ferramentas para a gestão financeira estão o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE) e o Balanço Patrimonial (BP). Estes organizam os recursos financeiros da empresa e auxiliam no cálculo de índices, dando uma visão melhor de como estão sendo alocados os recursos.


DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DE EXERCÍCIO (DRE)


Vamos começar, então, falando um pouco mais sobre a primeira ferramenta, o Demonstrativo do Resultado do Exercício. Este recurso é responsável por evidenciar as relações contábeis de uma empresa em um determinado período. Dessa forma, com os valores de despesas e receitas de um negócio é possível calcular qual será o lucro ou prejuízo líquido, além do desempenho do empreendimento.


Na figura abaixo podemos analisar melhor como é feita a estrutura do DRE:


Figura 1: Estrutura do DRE. Fonte: Passei Direto.


Assim, na figura acima vemos que a ferramenta se inicia com os valores da RECEITA BRUTA DE VENDAS em um determinado período; logo abaixo podemos subtrair deste valor os impostos sobre as vendas (DAS, ICMS, ISS, entre outros) e as devoluções e descontos para obter a RECEITA LÍQUIDA; se descontarmos o custo da mercadoria vendida (CMV), que por sua vez, engloba todos os gastos relacionados a obtenção e na venda de um produto ou serviço, como fretes, pedágios, e até mesmo salário de vendedores, obtemos o RESULTADO BRUTO.


O resultado bruto, por si só ainda não nos diz muita coisa, precisamos, então, adicionar aos cálculos os valores de despesas e receitas operacionais. São todos as entradas e saídas relacionadas à manutenção da atividade da empresa, como luz, internet, aluguel, folha salarial dos demais funcionários, despesas administrativas, juros sobre o capital próprio ou de terceiros, entre outros. Obtemos, assim, o RESULTADO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES, o qual incide o Imposto de Renda para Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), obtendo, finalmente, o RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO.


Com o resultado líquido do exercício é possível averiguar se o empreendimento está dando lucro ou prejuízo, além de indicar a lucratividade (lucro/faturamento). Com o DRE também é possível analisar qual a representatividade de seus gastos no sistema, e é utilizado pelo governo para verificar se os impostos foram calculados corretamente, mostrando sua importância.


BALANÇO PATRIMONIAL (BP)


O Balanço Patrimonial é um relatório contábil que mostra quantitativa e qualitativamente a posição financeira da empresa em uma data determinada. É diferente do DRE, pois é uma ferramenta estática, como uma “fotografia” do empreendimento. A estrutura do BP é feita da seguinte maneira (Figura 2):


Figura 2: Estrutura do Balanço Patrimonial. Fonte: Elaborado pelo autor.


Podemos averiguar que o BP é dividido inicialmente em ativos e passivos. O primeiro compreende os bens, direitos e aplicações que são capazes de gerar benefícios econômicos para o negócio, sendo subdividido em circulante, não circulante e imobilizado.


Os ativos circulantes são os direitos que podem ser recebidos em menos de um ano, como o dinheiro em caixa, em aplicações de resgate imediato, contas a receber em menos de um ano e com a venda do estoque. Já o ativo não circulante são todas as aplicações e vendas para serem recebidas em um prazo superior a um ano. Por último, no imobilizado é enquadrado todo o capital investido com maquinário, estrutura, entre outros.


Já os passivos são as obrigações que deverão ser pagas com o dinheiro gerado pelos ativos. Deste lado a divisão é feita da mesma maneira, no circulante são colocados os salários, pagamentos de fornecedores, pagamento de empréstimos, entre outros; e no não circulante são encaixadas as obrigações que deverão ser pagas em um prazo maior que um ano. Por final, o patrimônio líquido representa o capital dos sócios que foi investido.


É importante ressaltar que nesta estrutura o valor dos ativos deve ser igual ao valor dos passivos, daí vem o nome “balanço”. Com esta ferramenta é possível o cálculo de vários indicadores de liquidez, endividamento e rentabilidade.


Os índices de liquidez são responsáveis por mostrar o quanto de capital gerado no ativo uma empresa possui para pagar seus passivos. Existem vários deles, como o de liquidez corrente (Ativo Circulante / Passivo Circulante), que mede a possibilidade de pagamento dos passivos em curto prazo; a liquidez seca que retira a possibilidade de venda do estoque para o pagamento das dívidas; a liquidez imediata, que leva em consideração apenas os ativos prontamente disponíveis; dentre outros.


Os indicadores de endividamento são responsáveis por medir a proporção dos ativos que são financiadas com capital de terceiros, e pode ser calculado somando o passivo circulante com o não circulante, e dividindo este valor pelo patrimônio líquido. Mostrando uma relação entre o capital de terceiros e o dos sócios.


Por fim, os índices de rentabilidade são responsáveis por assinalar qual o rendimento do investimento da empresa. Um exemplo é o Retorno sobre o Investimento (ROI), é uma relação entre o ganho em um determinado período e o investimento feito inicialmente em uma empresa.


Portanto, as ferramentas de contabilidade aprofundadas neste texto se mostram importantes na análise da saúde financeira de um empreendimento, dando oportunidade para o investidor tomar decisões mais assertivas e melhorar o desempenho do negócio. Para saber mais sobre este assunto entre em contato com a nossa equipe!


Autor: Gabriel Secches.

Ex-presidente do ADECA Agronegócios.

Para mais conteúdos como esse, acesse o site: https://portaladeca.com/

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