O futuro da agricultura é a precisão



A evolução da tecnologia nas últimas décadas facilitou e otimizou quase todos os nichos econômicos e sociais, e o agronegócio, como setor de destaque na economia brasileira, não poderia ficar fora desse avanço. A agricultura de precisão, conhecida usualmente como AP, é a grande representante dessa interação agronegócio/tecnologia, promovendo a melhoria na gestão dos cultivos e, consequentemente, o aumento da produtividade no campo. Quando se fala em tecnologias para geração de mapas de produtividade, amostragem georreferenciada e aplicação em taxa variada, se fala de AP.

Essa nova etapa de desenvolvimento da agricultura surgiu como solução para gestão de grandes áreas junto com a expansão agrícola, e no Brasil está instaurada há cerca de 20 anos, sofrendo grandes evoluções com o passar dos anos, em diversas culturas. Desde o início, o destaque se dava aos mapas de produtividade gerados pelas colhedoras, pouco entendidos até hoje como forma eficaz de diagnosticar a variabilidade das lavouras. Alternativamente passou-se a estudada a variabilidade da fertilidade de solo. Paralelamente, a indústria intensificou a automação das máquinas, deixando clara a divisão da AP em duas vertentes: uma focada na indústria de automação das máquinas e outra voltada à gestão da variabilidade espacial das lavouras, a qual abordaremos.

Em pesquisa realizada pelo Kleffman Group no ano de 2013 em grandes regiões produtoras, foi constatado que 45% dos produtores utilizam a AP como forma de gestão e destes, 79% afirmam que fazem mapeamento para manejo da fertilidade do solo sendo que 43% destes afirmam utilizar amostragem georreferenciada. Em vista disso, nota-se que a agricultura de precisão tem apresentado grande crescimento e aplicação, mesmo sendo um nicho recente.

Para que se atinja alto nível de detalhamento, a AP faz o uso de coordenadas geográficas que permitem identificar o local onde cada dado foi coletado, sendo possível obter um conhecimento representativo e espacializado da área analisada. Além dos elementos de campo, obtidos através de sensores embarcados, é possível também trabalhar fazendo associações com imagens remotas, obtidas por aviões, satélites ou drones, dependendo do objetivo final.

Para manusear estes dados, exige-se o uso de softwares e hardwares apropriados, conhecidos como Sistemas de Informação Geográfica (SIG), que permitem a visualização das informações, armazenamento e processamento dos dados. A partir daí os dados são interpretados, seja para a elaboração de mapas ou extração de informações utilizadas na tomada de decisão, permitindo um planejamento estratégico no campo para as intervenções localizadas. A seguir serão abordados dois exemplos destas aplicações.




MAPAS DE PRODUTIVIDADE


Visto que a AP é uma forma de gestão do processo agrícola que leva em consideração a variabilidade existente nas lavouras, a identificação dessa variabilidade é o ponto de partida para implementa-la. Nesse sentido, os mapas de produtividade, que ilustram a variação espacial e temporal da produtividade, é vista como a informação mais completa e real para se visualizar mudanças e heterogeneidades nos cultivos.

Estes mapas, manuseados e interpolados no SIG, permitem a investigação das causas da variação da produção em determinada área, a reposição de nutrientes baseado na exportação pela colheita e o aperfeiçoamento das equações para recomendação de corretivos e fertilizantes em taxas variáveis, promovendo melhoria na produtividade e redução de desperdícios de insumos agrícolas. Os dados de produtividade necessários para a confecção dos mapas são obtidos durante a colheita através de sensores instalados na colhedora, juntamente com um receptor GNSS ou de sistemas globais de navegação por satélites.


Para a elaboração de mapas de produtividade foram desenvolvidos diversos tipos destes sensores embarcados no maquinário, que podem realizar a estimativa da quantidade de grãos colhidos por peso ou volume, ou na cultura do algodão, mensurar a quantidade de fibras colhidas por meio de fachos de luz. Os dados obtidos são associados a posição de cada ponto obtidas por meio de um receptor GNSS, devem passar por uma etapa de limpeza e assim é possível conhecer a distribuição da produtividade no campo.



Figura 1 - Dados de produtividade de soja originais e após a filtragem e interpolação

Fonte: Boletim Técnico 04 – Mapas de Produtividade


Também é possível confeccionar mapas com diversas outras variáveis que não a produtividade, através do uso de sensores disponíveis no mercado, como de condutividade elétrica aparente do solo, compactação ou sensores ópticos ativos, com posterior cálculo de índices de vegetação. Para que os sensores apresentem o desempenho esperado, é de extrema importância que se atente à devida calibração dos equipamentos.


AMOSTRAGEM GEORREFERENCIADA


A amostragem georreferenciada por sua vez, principalmente de solo, tem como objetivo gerar mapas que orientem a demanda e, portanto, a aplicação de corretivos ou fertilizantes em taxa variada. Ela basicamente representa o todo da lavoura com base em valores obtidos pelas amostras e justamente por isso, quanto mais amostras forem feitas em uma área - chamada de densidade amostral - maior será a qualidade do mapa final.

De início, pode-se considerar três tipos de amostragem:

- Em grade por ponto: na qual, em um SIG, o talhão é colocado sob quadrículos regulares imaginários e dentro de cada um deles é gerado um ponto amostral. As coordenadas desses pontos são transferidas a um receptor GNSS (geralmente GPS) para que sejam identificados no campo para a amostragem. As amostras são coletadas e enviadas para laboratório, após a análise, o mapa final pode ser gerado por interpolação, estimando valores nos locais não amsotrados.

- Direcionada: em que os locais de amostragem são determinados a partir de mapas já existentes da área, como mapa de produtividade ou de índices de vegetação, como o NDVI. Esse método tem o intuito de monitorar locais específicos do talhão em áreas que demonstram variabilidade espacial.

- Em grade por célula: na qual o talhão é colocado sob quadrículos (células), não necessariamente regulares, também através de um SIG, e ao contrário da grade por ponto, são realizadas várias coletas ao longo da quadrícula, e os valores obtidos passam a representar todo quadrado em que os pontos estão inseridos (célula). O mapa final terá um gradiente de cores nas células de acordo com os valores obtidos.

Para as amostragens de solo, são cada vez mais usados equipamentos mecanizados para otimizar os processos e garantir maior precisão. Estes possuem uma fonte de potência, um elemento sacador e em alguns casos um veículo para transporte, sendo que os amostradores convencionais (manuais) também podem ser utilizados. Contudo, em função da quantidade de amostras necessárias, é natural a utilização de equipamentos mais rápidos e práticos.

Em suma, não apenas na amostragem de solo, mas também em todos os fatores que envolvem a produção agropecuária, a direção que se toma é na adoção de soluções cada vez mais tecnológicas, com dados cada vez mais precisos da lavoura e, máquinas e implementos mais tecnológicos e autônomos. Frentes que ainda necessitam de maior atenção estão na abordagem do tratamento fitossanitário localizado das lavouras. A adoção da AP facilita o entendimento da variabilidade das lavouras, criando um sistema de gestão que tem grande oportunidade de crescimento no agronegócio brasileiro.




Para saber mais sobre esse tema, visite o site: https://www.agriculturadeprecisao.org.br/boletins-tecnicos/ e conheça os boletins lançados.

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